Na fronteira da saúdeNa fronteira da saúde

05-12-2014

Divulgação Oncoclínicas do Brasil  
Dezembro de 2014

Três amigos mineiros criaram, em quatro anos, uma rede de oncologia que fatura 450 milhões de reais. Foram pioneiros. Mas a concorrência acordou.

O Mercado brasileiro de saúde viveu um ciclo de outro nos últimos dez anos. A receita dos hospitais privados triplicou, para 14 bilhões de reais, Laboratórios de diagnóstico, como Fleury e Dasa, abriram o capital na bolsa e mais do que dobraram a receita nos últimos cinco anos. A Amil, líder em planos de saúde, foi vendida em 2012 para a americana United Health por 6 bilhões de reais. A cada história de sucesso, porém, surgem novos nichos ainda por explorar.

O tratamento do câncer é um dos mais óbvios. Estimativas da Organização Mundial da Saúde apontam que, muito em razão do envelhecimento da população, o número de novos casos por ano deve dobrar no mundo até 2030 — serão 733000 novos casos apenas no Brasil, 85% mais do que o volume atual. Os grandes grupos de saúde, obviamente, estão em luta avançada contra o câncer — que é prioridade não apenas das pesquisas das farmacêuticas mas também dos hospitais. Nos Estados Unidos, maior mercado de saúde privada do mundo, apenas a US Oncology, líder em clínicas especializadas, atende 750000 pessoas por ano. O tratamento do câncer, no entanto, nunca foi prioridade das instituições privadas brasileiras. Mas isso está começando a mudar.

A rede mineira de clínicas de oncologia Oncoclínicas do Brasil é o maior exemplo disso. A empresa foi fundada em 2010 e, após 22 aquisições, já tem 20 clínicas em sete estados. Nos últimos 12 meses, seu faturamento chegou a 450 milhões de reais. A empresa foi idealizada pelo oncologista Ernane Bronzatt. Quando viajou para uma especialização nos Estados Unidos, em 2009, ele conheceu um enorme mercado privado de tratamento quimioterápico e radioterápico. “O contraste com a precária estrutura vista no Brasil foi chocante”, diz ele. Faltava — e ainda falta — um mercado forte que atendesse quem não quisesse usar a saúde pública e não tivesse cacife para clínicas mais caras. junto com dois amigos (o também oncologista Bruno Ferrari e o empresário Marcelo Guimarães), criou uma rede de clínicas de oncologia. Os três receberam quase 100 milhões de reais de dois fundos de investimento — em 2010, da FIR Capital, e em 2012, da Victoria Capital. E partiram para as compras. A primeira aquisição foi o Oncocentro, em Belo Horizonte. A 22° e última, o Centro Quimioterápico, em Porto Alegre. Tudo em quatro anos.

A Oncoclínicas enfrenta um tipo de desafio comum a todos que empreendem no setor de saúde. Como oferecer um serviço de primeira linha e conseguir fechar no azul? Em todas as aquisições, manteve a marca e os médicos fundadores à frente das unidades. “Esse mercado funciona por recomendações. Perder os médicos seria um risco muito grande”, diz Marcelo Guimarães, presidente da empresa. Para esses médicos, atuar sob a Oncoclínicas é a garantia de um maior poder de fogo na compra de equipamentos e medicamentos e na negociação com os planos de saúde. Uma das vantagens é usar o histórico dos pacientes para criar uma base de dados com, por exemplo, a reação a cada terapia. Isso permite tratamentos mais certeiros — e, portanto, mais curtos. Com isso, as clínicas compradas conseguem atender até 30% mais pacientes após a entrada para a rede. A Oncoclínicas atende 30000 pacientes por mês. A margem de lucro nesse setor, segundo estimativas de mercado, é de cerca de 8% a 10%.

Desafios
Daqui para a frente , a concorrência será mais acirrada. A rede de hospitais D’Or, por exemplo, separou sua área de oncologia em 2010. Desde então, abriu 32 unidades e hoje fatura 400 milhóes de reais no segmento. A D’Or tem como sócio o banco BTG Pactual e pretende investir 50 milhões de reais em oncologia em 2015. O hospital paulistano Sírio-Libanês, um dos mais conceituados centros de oncologia da América Latina, dobrou o número de leitos em três anos. O Albert Einstein, também de São Paulo, inaugurou seu centro de oncologia em 2013. Nessa corrida para atender os pacientes, a Oncoclínicas tem limitações para manter o ritmo. Os concorrentes são grandes grupos, com fôlego financeiro e tradição. Com o dinheiro já levantado a Oncoclínicas prevê comprar mais quatro unidades. A ideia é primeiro se firmar nas capitais, para depois crescer em cidades médias. “Vamos precisar de mais investimentos para chegar a outras cidades. As pessoas não querem mais viajar para se tratar”, diz David Travesso, sócio da FIR Capital. A Oncoclínicas espera se tornar o mais conceituado centro de tratamento em cidades pouco atendidas. É uma estratégia que faz sentido para a empresa. Se for bem executada, fará sentido para os pacientes também.

Fonte: Revista Exame — Negócios | Saúde

Divulgação Oncoclínicas do Brasil  
Dezembro de 2014

Três amigos mineiros criaram, em quatro anos, uma rede de oncologia que fatura 450 milhões de reais. Foram pioneiros. Mas a concorrência acordou.

O Mercado brasileiro de saúde viveu um ciclo de outro nos últimos dez anos. A receita dos hospitais privados triplicou, para 14 bilhões de reais, Laboratórios de diagnóstico, como Fleury e Dasa, abriram o capital na bolsa e mais do que dobraram a receita nos últimos cinco anos. A Amil, líder em planos de saúde, foi vendida em 2012 para a americana United Health por 6 bilhões de reais. A cada história de sucesso, porém, surgem novos nichos ainda por explorar.

O tratamento do câncer é um dos mais óbvios. Estimativas da Organização Mundial da Saúde apontam que, muito em razão do envelhecimento da população, o número de novos casos por ano deve dobrar no mundo até 2030 — serão 733000 novos casos apenas no Brasil, 85% mais do que o volume atual. Os grandes grupos de saúde, obviamente, estão em luta avançada contra o câncer — que é prioridade não apenas das pesquisas das farmacêuticas mas também dos hospitais. Nos Estados Unidos, maior mercado de saúde privada do mundo, apenas a US Oncology, líder em clínicas especializadas, atende 750000 pessoas por ano. O tratamento do câncer, no entanto, nunca foi prioridade das instituições privadas brasileiras. Mas isso está começando a mudar.

A rede mineira de clínicas de oncologia Oncoclínicas do Brasil é o maior exemplo disso. A empresa foi fundada em 2010 e, após 22 aquisições, já tem 20 clínicas em sete estados. Nos últimos 12 meses, seu faturamento chegou a 450 milhões de reais. A empresa foi idealizada pelo oncologista Ernane Bronzatt. Quando viajou para uma especialização nos Estados Unidos, em 2009, ele conheceu um enorme mercado privado de tratamento quimioterápico e radioterápico. “O contraste com a precária estrutura vista no Brasil foi chocante”, diz ele. Faltava — e ainda falta — um mercado forte que atendesse quem não quisesse usar a saúde pública e não tivesse cacife para clínicas mais caras. junto com dois amigos (o também oncologista Bruno Ferrari e o empresário Marcelo Guimarães), criou uma rede de clínicas de oncologia. Os três receberam quase 100 milhões de reais de dois fundos de investimento — em 2010, da FIR Capital, e em 2012, da Victoria Capital. E partiram para as compras. A primeira aquisição foi o Oncocentro, em Belo Horizonte. A 22° e última, o Centro Quimioterápico, em Porto Alegre. Tudo em quatro anos.

A Oncoclínicas enfrenta um tipo de desafio comum a todos que empreendem no setor de saúde. Como oferecer um serviço de primeira linha e conseguir fechar no azul? Em todas as aquisições, manteve a marca e os médicos fundadores à frente das unidades. “Esse mercado funciona por recomendações. Perder os médicos seria um risco muito grande”, diz Marcelo Guimarães, presidente da empresa. Para esses médicos, atuar sob a Oncoclínicas é a garantia de um maior poder de fogo na compra de equipamentos e medicamentos e na negociação com os planos de saúde. Uma das vantagens é usar o histórico dos pacientes para criar uma base de dados com, por exemplo, a reação a cada terapia. Isso permite tratamentos mais certeiros — e, portanto, mais curtos. Com isso, as clínicas compradas conseguem atender até 30% mais pacientes após a entrada para a rede. A Oncoclínicas atende 30000 pacientes por mês. A margem de lucro nesse setor, segundo estimativas de mercado, é de cerca de 8% a 10%.

Desafios
Daqui para a frente , a concorrência será mais acirrada. A rede de hospitais D’Or, por exemplo, separou sua área de oncologia em 2010. Desde então, abriu 32 unidades e hoje fatura 400 milhóes de reais no segmento. A D’Or tem como sócio o banco BTG Pactual e pretende investir 50 milhões de reais em oncologia em 2015. O hospital paulistano Sírio-Libanês, um dos mais conceituados centros de oncologia da América Latina, dobrou o número de leitos em três anos. O Albert Einstein, também de São Paulo, inaugurou seu centro de oncologia em 2013. Nessa corrida para atender os pacientes, a Oncoclínicas tem limitações para manter o ritmo. Os concorrentes são grandes grupos, com fôlego financeiro e tradição. Com o dinheiro já levantado a Oncoclínicas prevê comprar mais quatro unidades. A ideia é primeiro se firmar nas capitais, para depois crescer em cidades médias. “Vamos precisar de mais investimentos para chegar a outras cidades. As pessoas não querem mais viajar para se tratar”, diz David Travesso, sócio da FIR Capital. A Oncoclínicas espera se tornar o mais conceituado centro de tratamento em cidades pouco atendidas. É uma estratégia que faz sentido para a empresa. Se for bem executada, fará sentido para os pacientes também.

Fonte: Revista Exame — Negócios | Saúde